Parto Normal vs. Cesárea: por que as taxas de cesárea são tão elevadas no Brasil?

28.03.11 / Gravidez, Parto / Autor: Bebê Ternura / Comentários: (0)
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Como comentamos no primeiro artigo desta série, as taxas de cesárea no Brasil têm se mantido em ascensão desde a década de 70 e atualmente correspondem a 47,4% dos partos. Essas taxas elevadas são decorrentes de um excesso de cesarianas realizadas sem indicação médica definida e se associam com aumento da morbimortalidade materna e perinatal.

 

Quando questionados sobre os motivos do excesso de cesáreas, muitos obstetras irão dizer que a principal causa é o desejo materno, a chamada “cesárea a pedido”. Os debates éticos sobre cesariana a pedido são frequentes e já motivaram pareceres da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), dos Conselhos Regionais (CRM) e do próprio Conselho Federal de Medicina (CFM). Defende-se, e considera-se ético, o direito da mulher de escolher o tipo de parto. A principal justificativa é que os riscos absolutos da cesariana são mínimos e que se deve resguardar o princípio da autonomia.

Infelizmente, essa justificativa só tem funcionado no sentido de defender o direito à “escolha” da cesariana, sendo a autonomia feminina frequentemente desrespeitada quando a mulher deseja um parto normal. Diversos estudos têm demonstrado que a maioria das mulheres brasileiras deseja um parto normal, embora apenas 20% das usuárias de convênio o consigam.

Um grande estudo publicado em 2001 por Potter et al. envolveu entrevistas com 1136 mulheres brasileiras. Cerca de 70 a 80% referiram preferência pelo parto normal e não houve diferença nessa preferência entre as pacientes atendidas pelo setor privado e pelo setor público, embora a taxa real de cesarianas tenha sido de 72% e 31% nesses grupos, respectivamente. Os autores concluíram que a grande diferença observada entre as taxas de cesariana no setor público e no setor privado é devida a uma maior taxa de cesarianas não desejadas no setor privado e não à preferência das mulheres por uma operação cesariana. Desta forma, a elevação das taxas de cesariana no Brasil não necessariamente reflete uma maior demanda por esta via de nascimento.

Em outro estudo publicado em 2008, os mesmos autores demonstraram que a maioria dessas cesáreas foi realizada por causas médicas não justificadas, principalmente entre as mulheres que, durante o pré-natal, tinham declarado preferência pelo parto normal! Os autores sugerem que os médicos frequentemente persuadem suas pacientes a aceitar uma cesariana programada por razões que não existem ou que não justificam este procedimento.

Em resumo, embora eventualmente algumas mulheres possam preferir uma cesariana e solicitar que o nascimento ocorra por esta via, as evidências demonstram que a maioria das mulheres brasileiras prefere o parto normal. Há um nítido descompasso entre o discurso médico e a voz das mulheres. Os primeiros alegam que grande parte das cesarianas eletivas sem indicação médica definida ocorre por solicitação das mulheres, enquanto estas últimas afirmam querer o parto normal.

Por que então ocorrem as cesarianas? Há uma escassez de estudos sobre os motivos alegados para a realização das cesáreas, porém a frequência com que estas ocorrem especialmente no setor privado, sugere que muitas são realizadas por indicações duvidosas ou pretextos que não encontram suporte na literatura científica. Predominam as cesarianas eletivas (fora do trabalho de parto), atribuídas a circulares de cordão, redução do líquido amniótico, bebês “grandes demais” ou “pequenos demais”, mitos desprovidos de fundamento que se vão perpetuando no imaginário popular.

A discussão constante sobre cesarianas a pedido, que respondem por uma minoria das cesarianas realizadas em nosso país, escamoteia essa face do problema. É preciso trazer à luz uma questão das mais relevantes: não é ético concordar com a mulher que durante o pré-natal verbaliza seu desejo de um parto normal e depois “criar” justificativas para realizar uma cesariana. Estima-se que 60% das cesarianas realizadas correspondam a razões “médicas” duvidosas ou não justificadas!

No próximo artigo desta série, abordaremos os principais pretextos utilizados para justificar uma operação cesariana sem real necessidade médica.

Fonte http://guiadobebe.uol.com.br/parto/parto_normal_vs_cesarea__parte_2.htm

Refluxo: como identificar e cuidar do bebê.

19.03.11 / Amamentação ou Aleitamento, Filhos, Saúde do bebê, Segurança do bebê e da criança / Autor: Bebê Ternura / Comentários: (0)
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Muitas vezes é só uma regurgitação normal. Veja as situações mais comuns e as mais delicadas.

Você acha que seu filho tem refluxo? Tenha calma. Não é qualquer volta de leite que o bebê apresenta que pode indicar que ele tem o problema. “Os adultos confundem a regurgitação comum, que ocorre com cerca de 50% dos bebês e não interfere em seu desenvolvimento, com o refluxo gastroesofágico, que merece atenção médica e, algumas vezes, remédios”, alerta o pediatra Mauro Batista de Morais. E até mesmo alguns médicos vêm fazendo confusão.

A questão é que os pais, ansiosos por natureza, ficam muito preocupados em ver o bebê devolvendo o alimento pela boca. Pensam que ele está doente e sofrendo. Se não encontram pela frente alguém para acalmá-los, tomam atitudes desnecessárias, como medicar o filho com o remédio que a vizinha usa ou trocar o peito pela mamadeira com leite engrossado. “O leite materno é mais leve, por isso mais fácil de voltar. Mesmo assim, é melhor o bebê regurgitar do que perder as vantagens da amamentação”, aconselha Mauro.

O que é comum?

A regurgitação ocorre porque a válvula entre o esôfago e o estômago, conhecida como esfíncter esofagiano, ainda está se desenvolvendo. Normalmente, após a
passagem do leite, ele fecha e segura o líquido. Com a imaturidade, o esfíncter relaxa e não faz seu trabalho. Por isso, o retorno de um pouco de leite após a mamada, quando o bebê arrota, ou mesmo um tempo depois em forma de “queijinho” é normal. Trata-se de um tipo de refluxo fisiológico, ou apenas regurgitação, que acontece em algumas ou todas as mamadas. Ela também ocorre porque nem sempre é possível notar que o bebê mamou em excesso e lotou o estômago. Nesse caso, até um arroto mais intenso traz o líquido de volta. Regurgitar não tem nenhuma conseqüência para o bebê e não causa desconforto. Não há remédio que faça o esfíncter amadurecer mais rápido. “O amadurecimento acontece entre os 6 meses e 1 ano. Enquanto isso, é preciso paciência e fraldas extras”, diz o pediatra Glaucio Granja de Abreu.

Algumas condutas podem ser adotadas para diminuir a regurgitação e principalmente acalmar a ansiedade dos pais, que se impressionam com as voltas do leite. Uma delas é respeitar sempre o tempo de cerca de dez minutos para o bebê arrotar, mantendo-o no colo. Outra, na hora de colocar a criança no berço ou no carrinho, é deixá-la um pouco elevada e não totalmente na horizontal, posição que facilita a volta do leite. Se a criança não mama no peito, o leite engrossado com mingaus também diminui a regurgitação, mas essa medida deve ser orientada pelo pediatra. 

FONTE: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI1606-15326,00.html

Como conversar sobre tragédias com as crianças

17.03.11 / Filhos, Segurança do bebê e da criança / Autor: Bebê Ternura / Comentários: (0)
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Seu filho perguntou sobre o terremoto no Japão e você não sabe o que responder? Veja como lidar com a curiosidade das crianças em relação a temas como esse…

“Mamãe, o tsunami pode chegar até aqui?” Com a sequência de terremotos que arrasou o Japão na última semana e as chuvas que deixaram o sul do Brasil em alerta, não é mesmo fácil lidar com a curiosidade das crianças sobre tragédias. Principalmente quando as informações cheias de imagens fortes e muitos detalhes chegam por todos os meios de comunicação.

CRESCER entrevistou a psicóloga e terapeuta familiar Ana Lúcia Gomes Castello, uma das fundadoras da Associação Brasileira de Ajuda Humanitária Psicológica – que esteve no início do ano em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, para amparar psicologicamente as vítimas -, para descobrir como falar disso na sua casa. Veja as dicas da especialista:

Espere pela curiosidade
Se o seu filho ainda não se mostrou curioso sobre o assunto, não antecipe a conversa. Espere ele perguntar ou fazer algum comentário para conversar sobre os desastres. Talvez ele não tenha percebido e você esteja angustiada sem motivo.

Desligue a TV
Deixar a televisão (ou qualquer outro meio de comunicação) sintonizada no canal de notícias o tempo todo mostrando imagens trágicas só vai deixar seu filho com medo e inseguro. Procure se informar sobre esses tipos de acontecimentos longe das crianças. Isso não quer dizer que seu filho não possa ter contato com o que está acontecendo, mas não precisa receber excesso de informação. 

Conforto e segurança
Se você ficar impressionada com as imagens, não deixe que seu filho perceba. Ele precisa se sentir seguro, por isso, explique sobre o que aconteceu, mas enfatize que a família e os amigos estão bem. Se ele fizer perguntas, você pode contar uma história para ilustrar a cena e ajudar seu filho a entender melhor. 

Com o mapa na mão
Com a ajuda de um mapa do mundo, mostre a localização do Japão e onde vocês estão para que seu filho perceba a distância. Se quiser falar sobre as fortes chuvas no país, use um mapa só do Brasil. Caso contrário, ele pode achar que está muito perto do local que sofreu o desastre. Mas essa dica talvez não funcione se você estiver na mesma cidade ou estado. 

Fale sobre solidariedade
Aproveite o interesse do seu filho sobre o assunto e mostre como os bombeiros, a polícia e os grupos de ajuda humanitária trabalham para ajudar as vítimas. É uma ótima oportunidade para falar sobre a importância de ajudar o próximo e como esse amparo pode fazer a diferença. Que tal incentivá-lo a doar roupas ou brinquedos?

E se ele ainda não fala?
Eles também sentem o clima de tensão, por isso, preste atenção sobre o comportamento do bebê. Se ele estiver mais irritado, procure ficar mais tempo com ele, faça brincadeiras e dê muito carinho. Sua presença vai passar segurança.

FONTE: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI218703-15546,00-COMO+CONVERSAR+SOBRE+TRAGEDIAS+COM+AS+CRIANCAS.html